O processo arquitectónico de Dom Pedro Quinto

www.dompedroquinto.com “Um sítio vale pelo que é, e pelo que pode ou deseja ser – coisas talvez opostas, mas nunca sem relação."* *SIZA VIEIRA, Álvaro; 01 Textos – 8 Pontos O projecto que estamos a desenvolver, liderado pelo Arquitecto Adriano Pimenta, para Dom Pedro Quinto remonta a um modelo de habitar diferente dos modelos comuns com que actualmente nos deparamos. Apresenta-se como um conjunto de habitações unifamiliares, inseridas num lugar com uma forte vertente paisagística - que está presente quer na partilha entre os moradores das habitações de um espaço exterior comum e comunitário, quer no desenho de um espaço individual para cada casa -, afastando-se dos estereótipos de condomínios.

O pequeno núcleo de vida qualificada que se desenhou, encaixa-se neste grande jardim de socalcos, com diferentes espécies de árvores e recria os aspectos sensoriais próprios do lugar. A neblina da manhã vinda do rio, a ruralidade intrínseca aos terrenos ali situados transmitem um sossego e uma tranquilidade ímpares, apesar da proximidade aos grandes eixos da cidade. Neste projecto, o princípio foi manter a leitura actual do lugar: os socalcos, a vegetação extensa e a casa. A ideia foi encaixar um programa de condomínio de forma a que a intervenção arquitectónica passasse despercebida, sendo apenas pontualmente visível. O protagonismo é entregue à paisagem: A paisagem é que deve ser experimentada e é ela que dita onde e como se devem encaixar as casas.

Este princípio norteou a forma como definimos e conjugamos a forma e o lugar, baseando-nos em três aspectos: o estudo e a história do lugar, a definição do programa, e os pontos de contacto como expressão arquitectónica.

.o estudo e a história do lugar

O terreno, triangular de topografia acentuada, recebe uma casa do séc. XIX, distinta pelas 4 fachadas e pelo seu desenho interior. A topografia do terreno em socalcos e a matéria de geologia, revelou a orientação que as casas deveriam ter - voltarem-se para a Rua Dom Pedro V, para Sul e Nascente, ficando apoiadas nos socalcos à cota natural do terreno.

.o programa

Respeitando as características intrínsecas ao lugar e os conceitos acima enunciados, concluiu-se que a casa do séc. XIX deveria ser reabilitada como originalmente fora concebida, e que receberia um programa específico de nove quartos e uma sala de refeições. Alocado à casa, projectou-se um grande espaço exterior, reorganizado em esplanada, piscina e em espaços de estar pertencentes à natureza.

O restante programa, de T1s, T2s e T3s, incidiu na construção de casas de piso térreo com pátios ajardinados. Pela carga da localização urbana, gaveto - como remate de duas ruas, a resposta na Rua da Pena foi de construções de três pisos que vêm acompanhar a cércea das edificações da frente urbana.

.os pontos de contacto

O contacto das formas com a envolvente resultou de duas vontades: a de criar uma unidade de concepção das construções novas que impedisse que a diferença de cotas entre as ruas se acentuasse no interior do terreno e ainda a de manter a leitura construtiva do lugar, tudo isto com a perspectiva de evocar a ideia modernista de relação intensa entre o novo construído e a paisagem. Assim, introduziu-se um elemento novo, contínuo e que liga as novas construções acima e abaixo daquela cota - uma grande laje de cobertura ajardinada longitudinal que levita sobre o muro de pedra da Rua Dom Pedro V, que se repete pelo terreno acima orientada longitudinalmente. A ideia foi não mostrar grande protagonismo, dissimulando as habitações por baixo destas lajes. Pontualmente evidencia-se a construção discreta elevando pequenos blocos de betão acima da cota natural do terreno. Outra intenção foi a de manter a leitura construtiva, optando-se pela recuperação dos muros graníticos românticos presentes no lugar. Cada casa unifamiliar é envolvida por uma caixa em betão que suporta a terra, e que se interrompe com um pátio. O muro faz o fecho da caixa, permitindo aberturas em forma de janela sobre a paisagem, tal qual uma tela cinematográfica. Os pátios, como negativos da laje funcionam como ponto de contacto entre o privado e o público trazendo vegetação e luminosidade ao interior das casas, reflectida nas superfícies contínuas em terrazzo e que rematam amplos planos em vidro. A textura no interior da casa é reafirmada na madeira e no mármore do mobiliário. A desmaterialização e o intervalo entre os blocos a norte, marcados pelos planos horizontais em betão pousados sobre o muro da Rua da Pena, define-se pelo existente enquadramento visual do rio e da paisagem rural, que das ruas e parques adjacentes desde cedo podemos perceber. ~ Assim, o que se pretende será que, nesta abordagem de intervenção num lugar distinto da cidade do Porto, seja experienciado o saber ver a arquitectura, compreende-la no seu único espaço e percurso na história, indo de encontro às vontades e preocupações do seu utilizador. www.dompedroquinto.com

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